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Retatrutida, apelidada de Godzilla: o que o estudo mostra de fato

Um estudo de fase 3 trouxe dados sobre a retatrutida, apelidada de Godzilla das canetas. Explicamos o que os números significam, o que ainda falta e o que isso muda na sua rotina.

Por Dra. Gisele Saback, 3 de outubro de 2026. 3 min de leitura.

Mesa de linho com prato de frango grelhado, couve, mamão e arroz com feijão, tangerinas e halteres ao fundo, em luz natural suave.

O apelido chama atenção, mas o que importa está nos detalhes do estudo. A retatrutida, apelidada de "Godzilla das canetas", teve resultados divulgados em um ensaio clínico de fase 3. Vamos entender o que isso quer dizer na prática.

O que o estudo avaliou

A pesquisa acompanhou 1.152 adultos com diabetes tipo 2 e sobrepeso ou obesidade, por 80 semanas. Os participantes usaram aplicações semanais do medicamento em diferentes doses. Um grupo recebeu placebo, para comparação.

A perda de peso média variou entre cerca de 12,7% e 20,8%, conforme a dose testada. No grupo placebo, foi de 4%.

De onde vem o número de 23,4%

Esse é o valor que aparece nas manchetes. Ele vale para um recorte específico: pessoas com IMC inicial igual ou superior a 35 que receberam a maior dose avaliada.

Ou seja, não é a média geral. Ler o número sem esse contexto cria uma expectativa que não corresponde ao estudo.

Efeitos no diabetes e reações adversas

A hemoglobina glicada (A1C) caiu entre 1,4 e 1,6 ponto percentual nos grupos que usaram o medicamento. Até 40% dos participantes chegaram a valores abaixo de 5,7%.

Os efeitos adversos mais comuns foram digestivos:

  • diarreia;
  • náusea;
  • constipação;
  • vômitos.

A maioria dos episódios foi leve ou moderada. Mesmo assim, são sintomas que afetam a rotina e a alimentação.

E no Brasil?

Em nota divulgada em 2025, a Anvisa informou que não havia medicamento com retatrutida registrado no país. Disse também que a importação e a venda de produtos sem registro configuram crime de contrabando.

Por isso, desconfie de qualquer oferta de "Godzilla" na internet, em redes sociais ou em grupos de mensagens. Sem registro, não há garantia sobre origem, conteúdo ou conservação do produto.

O que isso muda para você

Um estudo de fase 3 é um passo importante, mas não é o fim do caminho. O medicamento ainda precisa passar por avaliação regulatória, e os dados de um grupo de pesquisa não se aplicam automaticamente a todas as pessoas.

Para quem está na fase da menopausa ou perto dela, vale lembrar que o corpo muda. É comum haver alteração na composição corporal, com perda de massa muscular e mais gordura abdominal.

Independentemente de qualquer medicamento, alguns pilares continuam sendo a base:

  • alimentação com proteínas em cada refeição, junto de fibras, frutas, legumes e verduras;
  • treino de força, que ajuda a preservar a massa muscular;
  • sono regular;
  • acompanhamento de exames e da saúde como um todo.

Medicamentos para obesidade e diabetes são tratamentos médicos. Têm indicação, riscos e acompanhamento próprios, e a conduta é sempre individual.

Como ler notícias sobre canetas

Antes de tirar conclusões, vale se perguntar:

  • Quem participou do estudo? Eram pessoas com diabetes? Com qual IMC?
  • O número citado é média geral ou de um subgrupo?
  • O medicamento tem registro no Brasil?
  • Quais efeitos adversos foram observados?

Essas perguntas ajudam a separar informação de expectativa.

Orientação individual

Se você tem dúvidas sobre peso, alimentação ou sobre o uso de qualquer medicamento, converse com seu médico e agende uma consulta de nutrição. A orientação individual é feita em consulta, considerando sua história, seus exames e seus objetivos.

Fonte: InfoMoney

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Conteúdo educativo. Não substitui avaliação individual com nutricionista.

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